Test Drive
Cervélo P4 - Primeiras Impressões
A P4 foi apresentada ao público pela primeria vez no Interbike 08. Eu me lembro de ter sentido um misto de admiração e decepção, e tenho praticamente certeza de que esses sentimentos foram partilhados por outros, tanto da indústria como da mídia. A admiração foi por conta da quantidade de melhorias apresentadas em relação à P4, e a decepção por conta da ausência de cores mais vivas, de um visual mais impactante. Quase 8 meses depois desse primeiro contato, recebemos nossa primeira P4, e pudemos ver mais de perto o que a bike tem de bom, de novo, de complexo, e de único, e sobretudo entender que para assimilar o visual dark da P4, temos que conheçer melhor a bike como um todo.
Para começar, a P4 não é, ao contrário do que a vaga semelhança visual possa indicar, uma Super P3. Ela é um projeto paralelo que nasceu baseado em lições que a P3C havia ensinado, e com a ambição de ser 20% mais rápido que sua irmã caçula - uma tarefa tão complexa que foram necessários 3 anos para executá-la no nível de perfeição exigido pelos engenheiros da Cervélo.
Ao colocarmos lado a lado uma P3 e uma P4, começam a ficar evidentes as diferenças entre uma e outra:
1. o garfo e head tube são totalmente integrados na P4; essa integração consumiu mais tempo e testes do que qualquer outra àrea da bike, e resultou na frente mais aerodinâmica já obtida em uma bike de produção em série, segundo a fábrica;
2. o down tube tem um quase imperceptível estreitamento sobre a roda dianteira, ao invés de um "corte", com em outras bikes, e fica muito mais próximo da roda do que na P3 ou qualquer outra bike;
3. a caramanhola integra-se quadro, resultando no que é provavelmente o único quadro que fica mais aerodinâmico com a caramanhola do que sem ela; sem esse artifício, os 20% de ganhos aerodinâmicos propostos inicialmente não seriam possíveis, e portanto a caramanhola deve ser encarada menos como uma caramahola em si, e mais como uma solução aerodinâmica que ainda por cima deva água ;
4. os chainstay são radicalmente diferentes daqueles da P3 - eles tem uma "barriga" em direção à roda da bike no lado interno, e vão se afastando desta na medida em que se aproximam do eixo traseiro. Como consequência desse novo design, a P4 não "veste" rodas Zipp Sub 9 nem Hed Disc 09, pois ambas iriam raspar na parte interna do frame. Por outro lado, com o novo design, não há necessidade dessas rodas - o quadro em si já traz a solução que elas oferecem;
5. a junção horizontal do seatstay com o seat tube é outro aspecto marcante de aerodinâmica da bike; com a ausência dos freios traseiros, essa região ficou totalmente limpa, facilitando o escoamento do ar através do frame;
6. na junção do canote do selim, sumiram os dois parafusos de aperto do canote usados na P3 e P2, para dar lugar a um único parafuso, inserido no frame, à frente do canote, fazendo com que o tubo superior (top tube) fique extremamente liso, sem qualque protuberância, nessa região;
7. a regulagem do encaixe da roda traseira ficou mais fácil - não é necessário utilizar uma chave allen por dentro do frame, mas simplesmente correr os dedos sobre uma engrenagem aparente do lado de fora do chainstay;
8. o freio traseiro, feito pela Cervélo (já vem com o frameset, e não pode ser substiuído por outro modelo) desapareceu completamente - não está sob o frame, mas inserido no chainstay - um sonho de aerodinâmica, e um potencial pesadelo para o mecânico menos experiente;
9. os espaçadores que acompanham o guidão já vem com formato aerodinâmico, limpando ainda mais a frente da bike;
10. enquanto que desde o início da produção das P3 foram utilizadas cores em contraste (vermelho e preto, branco e preto, cinza e vermelho, e cinza e preto), a P4 veio ao mundo monocromática. Nem a marca Cervélo aparece no frame - apenas no garfo. Tudo o que se vê é um P4 e uma forma negra, sem nada escrito ou que salte aos olhos. Justamente para que os olhos não se distraiam, e sejam capazes de focar no essencial, que são as linhas, a forma da bike. A P4, que é seguramente uma das bicicletas mais antecipadas de toda a história do ciclismo, não pretendeu chamar a atenção pelo visual, pois já era visualizada e imaginada antes mesmo de existir, e seguramente todos iriam buscá-la com os olhos, independente das cores que ela tivesse. Assim, ela veio sóbria, elegante, e disposta a marcar seu nome pelos resultados, não por detalhes estéticos. Portanto, o design preto, a lá Lotus dos anos 70, pode não ser do agrado de todos, mas agora, depois de ver a bike de perto, desmontá-la, e andar com ela, temos certeza de que a P4 não veio para agradar. Ela veio para cortar o vento; arrasar tempos; destruir recordes. A P4 é uma arma branca, pintada de preto.
Para começar, a P4 não é, ao contrário do que a vaga semelhança visual possa indicar, uma Super P3. Ela é um projeto paralelo que nasceu baseado em lições que a P3C havia ensinado, e com a ambição de ser 20% mais rápido que sua irmã caçula - uma tarefa tão complexa que foram necessários 3 anos para executá-la no nível de perfeição exigido pelos engenheiros da Cervélo.
Ao colocarmos lado a lado uma P3 e uma P4, começam a ficar evidentes as diferenças entre uma e outra:
1. o garfo e head tube são totalmente integrados na P4; essa integração consumiu mais tempo e testes do que qualquer outra àrea da bike, e resultou na frente mais aerodinâmica já obtida em uma bike de produção em série, segundo a fábrica;
2. o down tube tem um quase imperceptível estreitamento sobre a roda dianteira, ao invés de um "corte", com em outras bikes, e fica muito mais próximo da roda do que na P3 ou qualquer outra bike;
3. a caramanhola integra-se quadro, resultando no que é provavelmente o único quadro que fica mais aerodinâmico com a caramanhola do que sem ela; sem esse artifício, os 20% de ganhos aerodinâmicos propostos inicialmente não seriam possíveis, e portanto a caramanhola deve ser encarada menos como uma caramahola em si, e mais como uma solução aerodinâmica que ainda por cima deva água ;
4. os chainstay são radicalmente diferentes daqueles da P3 - eles tem uma "barriga" em direção à roda da bike no lado interno, e vão se afastando desta na medida em que se aproximam do eixo traseiro. Como consequência desse novo design, a P4 não "veste" rodas Zipp Sub 9 nem Hed Disc 09, pois ambas iriam raspar na parte interna do frame. Por outro lado, com o novo design, não há necessidade dessas rodas - o quadro em si já traz a solução que elas oferecem;
5. a junção horizontal do seatstay com o seat tube é outro aspecto marcante de aerodinâmica da bike; com a ausência dos freios traseiros, essa região ficou totalmente limpa, facilitando o escoamento do ar através do frame;
6. na junção do canote do selim, sumiram os dois parafusos de aperto do canote usados na P3 e P2, para dar lugar a um único parafuso, inserido no frame, à frente do canote, fazendo com que o tubo superior (top tube) fique extremamente liso, sem qualque protuberância, nessa região;
7. a regulagem do encaixe da roda traseira ficou mais fácil - não é necessário utilizar uma chave allen por dentro do frame, mas simplesmente correr os dedos sobre uma engrenagem aparente do lado de fora do chainstay;
8. o freio traseiro, feito pela Cervélo (já vem com o frameset, e não pode ser substiuído por outro modelo) desapareceu completamente - não está sob o frame, mas inserido no chainstay - um sonho de aerodinâmica, e um potencial pesadelo para o mecânico menos experiente;
9. os espaçadores que acompanham o guidão já vem com formato aerodinâmico, limpando ainda mais a frente da bike;
10. enquanto que desde o início da produção das P3 foram utilizadas cores em contraste (vermelho e preto, branco e preto, cinza e vermelho, e cinza e preto), a P4 veio ao mundo monocromática. Nem a marca Cervélo aparece no frame - apenas no garfo. Tudo o que se vê é um P4 e uma forma negra, sem nada escrito ou que salte aos olhos. Justamente para que os olhos não se distraiam, e sejam capazes de focar no essencial, que são as linhas, a forma da bike. A P4, que é seguramente uma das bicicletas mais antecipadas de toda a história do ciclismo, não pretendeu chamar a atenção pelo visual, pois já era visualizada e imaginada antes mesmo de existir, e seguramente todos iriam buscá-la com os olhos, independente das cores que ela tivesse. Assim, ela veio sóbria, elegante, e disposta a marcar seu nome pelos resultados, não por detalhes estéticos. Portanto, o design preto, a lá Lotus dos anos 70, pode não ser do agrado de todos, mas agora, depois de ver a bike de perto, desmontá-la, e andar com ela, temos certeza de que a P4 não veio para agradar. Ela veio para cortar o vento; arrasar tempos; destruir recordes. A P4 é uma arma branca, pintada de preto.